domingo, 30 de setembro de 2007

Primeira Leitura e Evangelho do dia: 30 de Setembro de 2007

Primeira leitura: (Am 6, 1a.4-7)
“Assim diz o Senhor todo-poderoso: Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! Os que dormem em camas de marfim,deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; os que cantam ao som das harpas, ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; os que bebem vinho em taças, e se perfumam com os mais finos ungüentos e não se preocupam com a ruína de José. Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito.”
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O Evangelho do dia: São Lucas
“Naquele tempo, Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico... Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas. Abraão, porém, replicou: - Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá. O rico disse: - Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos. Abraão respondeu: - Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos! O rico replicou: - Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão. Abraão respondeu-lhe: - Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos.”
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Comentários:
“Ninguém poderá jamais dizer que o Evangelho não seja atualíssimo, moderníssimo e que não sirva para os dias de hoje, pois a parábola que hoje meditamos é uma parábola dos nossos dias: O rico Epulão anônimo e o pobre Lázaro encontramos em todos os nossos bairros.

É de se notar que esse rico não era totalmente sem coração. Ele sabia que Lázaro se encontrava à soleira de sua mansão. Não o chutou a pontapés. Não chamou a polícia para carregá-lo a outro lugar. Não chamou nenhuma assistência social para deixar de ter sob os olhos aquele incomodo. Ainda mais, depois de morto, nas chamas do inferno, ele se preocupará com seus irmãos que vivam na Terra o mesmo estilo de vida.

No entanto, esse rico possuía um grande pecado que é o pecado de todos os ricos, ou ao menos uma grande tentação: ele não era capaz de enxergar. Não era capaz de ver e o pecado de grande parte dos ricos de todos os tempos: o pecado da falta de visão.

Estão bem instalados no conforto, na burguesia, na elegância, no luxo e são incapazes de enxergar um pouco mais adiante. São incapazes de enxergar outro mundo, bem mais numeroso que suas ilhas de fantasia.

Eles estão trancados em grandes mansões, todas elas protegidas por muralhas altíssimas, por câmeras de televisão, não desejam que olhares indiscretos os vejam, mas também não tem nenhum desejo de enxergar o que se passa do outro lado dos muros que eles mesmos construíram.

Eles são incapazes de amar, porque para amar é preciso ver. Hoje esses ricos povoam todas as nossas cidades. Eles estão presentes nos bairros mais elegantes que nós possuímos. O abismo intransponível se cava sempre mais entre eles e os pobres.

Os países ricos enviam migalhas para os países pobres. O Evangelho nos diz, no entanto que este abismo todos os ricos teimam em continuar a construir, devido à falta de visão e à falta de amor, existe no além também. E não foi Deus quem construiu esse muro no além.

Deus não se compraz com a desgraça dos ricos no fogo de inferno. São eles próprios que o construíram sem saber, que este abismo seria transposto inversamente na eternidade.

Um lembrete para aqueles que nadam no luxo e são pecadores diante de Deus: a esmola, a misericórdia e a abertura de coração são as únicas virtudes capazes de cobrir a multidão dos pecados cometidos. Eles necessitarão, diante de Deus, de hábeis advogados a lhes perorar a causa e lhes pedir misericórdia. Que os busquem enquanto há tempo.”
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Pe. Fernando Carneiro Cardoso, é presbítero da Arquidiocese de São Paulo e apresenta o programa "O Pão Nosso" exibido pela Rede Vida de Televisão. Colabora com os textos de reflexões da Liturgia Diária neste site.
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Dominus Vobiscum

Bruno Queiroz

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