sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Primeira Leitura e Evangelho do dia: 5 de Outubro de 2007

Primeira leitura: (Br 1, 15-22)
“Ao Senhor nosso Deus, cabe a justiça; enquanto a nós, resta-nos corar de vergonha, como acontece no dia de hoje aos homens de Judá e aos habitantes de jerusalém, nossos reis e príncipes, sacerdotes, profetas e nossos pais, porque pecamos contra o Senhor. Nós lhe desobedecemos; recusamo-nos a ouvir a voz do Senhor, nosso Deus, e a seguir os mandamentos que nos deu. Desde o dia em que o Senhor tirou nossos pais do Egito até agora, persistimos em nos mostrar recalcitrantes contra o Senhor, nosso Deus, e, em nossa leviandade, recusamos escutar-lhe a voz. Por isso, como agora o vemos, persegue-nos a calamidade assim como a maldição que o Senhor pronunciara pela boca de Moisés, seu servo, quando este fez com que saíssem do Egito nossos pais, a fim de nos proporcionar uma terra que mana leite e mel. Contudo, a despeito dos avisos dos profetas que nos enviou, não escutamos a voz do Senhor, nosso Deus. Seguindo cada um de nós as inclinações perversas do coração, servimos a deuses estranhos e praticamos o mal ante os olhos do Senhor, nosso Deus.”
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O Evangelho do dia: São Lucas
“Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza. Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos. Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.”
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Comentários:
“Esse é um livro recente, no judaísmo do Antigo Testamento; ele foi escrito uns dois séculos antes de Jesus cristo.

O judaísmo pós-exilío sentia a necessidade imperiosa de pedir perdão a Deus pelos pecados coletivos, multiplicando liturgias penitenciais.

Pouco antes haviam encogitado o grande Dia do Perdão chamado em hebraico Kippur, que os judeus comemoram até hoje, logo depois do ano novo.

Na nossa igreja, com a liturgia renovada, apareceram as celebrações penitencias comunitárias. Aqueles que foram formados há muitas décadas atrás, com eu, conhecemos uma espécie de individualismo religioso, como se meu pecado atingisse apenas meu coração e ofendesse diretamente a Deus, sem criar nenhuma outra situação danosa para a própria Comunidade.

Hoje se ensina o contrário: cada pecado, até mesmo os pecados mais recônditos, pecados que só o coração do pecador e Deus conhecem; são capazes de criar situações desagradáveis em todo o Corpo de Cristo.

Nós somos um Corpo só. Vivemos de uma de uma grande solidariedade e essa solidariedade se exerce também no mal, através de pecados pessoais. A Igreja fica menos santa, mais maculada, mais contaminada, mais embaçada e começa atrair menos. Então as nossas liturgias penitenciais devem ter um alcance comunitário.

Normalmente nossas paróquias e comunidades celebram essas liturgias penitenciais comunitárias, no tempo da quaresma, ou no tempo do advento. Mas nada impede que durante o ano sejam celebradas também.

Se um grande ato de virtude reverte em beneficio de todos, uma falta cometida é algo que priva do Corpo de Cristo de graças e benefícios de Deus. Você já se pôs a refletir no alcance social e comunitário de seus pecados?

Pois então, o texto convida a arrepender-se e colocar 10 vezes mais fervor nas obras de Deus do que foi à vontade de ofendê-lo com as próprias faltas.”
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Pe. Fernando Carneiro Cardoso, é presbítero da Arquidiocese de São Paulo e apresenta o programa "O Pão Nosso" exibido pela Rede Vida de Televisão. Colabora com os textos de reflexões da Liturgia Diária neste site.
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Dominus Vobiscum

Bruno Queiroz

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