Primeira leitura: Primeira leitura: Hb 5,7-9:
"Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem."
-----------------------------------------------------------------------------
O Evangelho do dia: São Lucas
"Naquele tempo, Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa."
------------------------------------------------------------------------------
Comentários:
"Depois de celebrarmos a cruz de Jesus e seu mistério de amor para com cada um de nós, hoje nos recordamos dos sofrimentos de Maria.
O Evangelho não é concreto ao descrever psicologicamente as dores de Maria. E, no entanto essa devoção agitou muito a Idade Média.
No século XIX, ela entrou para a liturgia, aos 15 de setembro.
Há dois meses atrás, todos nós presenciamos uma terrível tragédia acontecida na nossa cidade de São Paulo. A tragédia aérea de Airbus da TAM.
Eu me recordo de ter visto nas telas da TV, mulheres desesperadas, chorando por seus filhos que haviam tragicamente perdidos suas vidas. Naquele momento eu me recordei de Nossa Senhora das Dores.
Essas mulheres nas telas dos nossos canais de televisão imitavam, inconscientemente, as dores da Virgem Maria, porque Maria também passou por essa tribulação. A Virgem Maria teve que contemplar, angustiada e sofredora o seu Filho moribundo, pendente de uma cruz.
Depois da morte, recebeu a Seu Corpo sem vida nos próprios braços, como nós recordamos nos exercícios da Via Sacra que realizamos e cujo momento dramático foi imortalizado na Pietá de Michellangelo.
Naquela ocasião fiz uma prece a Nossa Senhora das Dores, por todas aquelas mães e por todos os parentes das vítimas daquele desastre que nos encheu a todos de grande tristeza e luto.
Hoje eu dedico esta celebração de Nossa Senhora das Dores a todas essas mulheres intrépidas que carregam no coração a dor lancinante pela perda de um ente querido. Quero dizer apenas que Deus não é insensível aos nossos sofrimentos, Deus não foi insensível ao sofrimento de seu filho Jesus, Deus não foi insensível de Maria santíssima.
Deus não é insensível aos sofrimentos de todos aqueles e aquelas que estão hoje acabrunhados sob o peso de tantas tragédias no corpo ou no espírito.
É um mistério o sofrimento e não adianta muitas elucubrações ou filosofia. Não podemos e não devemos tripudiar sobre as dores dos outros.
Mas nós queremos afirmar a todos que existe uma maneira de sofrer. Uma maneira de sofrer que é cristã isto é uma maneira de sofrer sem o desespero, uma maneira de sofrer com a esperança de que tudo isso neste mundo é provisório e que um dia reencontraremos a paz na Pátria Celeste, quando Deus tiver enxugado as lágrimas de cada um de nós."
------------------------------------------------------------------------------
Pe. Fernando Carneiro Cardoso, é presbítero da Arquidiocese de São Paulo e apresenta o programa "O Pão Nosso" exibido pela Rede Vida de Televisão. Colabora com os textos de reflexões da Liturgia Diária neste site.
------------------------------------------------------------------------------
Dominus Vobiscum
Bruno Queiroz
Nenhum comentário:
Postar um comentário